sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

e é assim que me sinto


E é assim que me sinto
como as folhas caídas
secas, sozinhas, inúteis
sem rumo e impedidas de sonhar
sem eira nem a vital raíz onde se agarrar
sem aqui e sem agora
nem amanhã tão pouco 
leves e frágeis,
fáceis à pequena tempestade
quebradiças pelo açoite do vento
arrastadas pelo chão
que não tenho eu, agora.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

o silêncio das coisas belas


Posso ser eu a felicidade
que tanto anseio,
a luz que falta me faz
e não enxergo neste túnel,
lá longe, ao fundo.
Posso ser eu o caminho
que caminho sem saber onde,
mas certa de que encontrarei porto de abrigo
cada vez que me perca.
Posso ser eu a esperança
que tantas vezes perco e me faz perder
e impede de me encontrar.
Posso ser eu a simplicidade 
que sempre complico
e não vejo a sua importância
nem desta a sua simplicidade.
Posso ser eu um novo dia
e a manhã que tanto espero
e então apreciar a beleza
daquilo que me diz
o silêncio das coisas belas.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

quando o sol nasceu

fizemos planos
trocámos de roupa
e de corpo também
sem enganos
quando o sol nasceu
e se fez dia na alma de alguém
como as horas que voam com o tempo
viajamos nós perdidos no vento
que ao de leve nos toca
e nos lembra de acordar

terça-feira, 25 de outubro de 2011

o que queres de mim



O que queres de mim
se sou um sonho
que já ninguém sonha
O que queres de mim
se sou uma ruína
que o tempo jamais reconstroi
O que queres de mim
se já não sou o que fui
(sem saber o que era)
nesta viagem 
onde o regresso é uma miragem
O que queres de mim
se sou apenas os passos
do teu silêncio murmurando
O que queres de mim.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

nas asas de um beijo



Não me deixes
Nem hoje nem depois
Vamos ser só os dois
Porque juntos somos mais.
E caminharemos por aí
Nas asas de um beijo
Que nos arrepia
E aviva o desejo
De nos amarmos
Sempre
Mais...


Para o D

terça-feira, 6 de setembro de 2011

depois da chuva





Os meus lábios
Têm sede da tua pele
Dos amanheceres a dois
Entre os lençóis
Encaixados,
Sinto saudades.
A cada fim de tarde
Anseio a chegada
Que fará florir,
Como a chuva,
O nosso amor.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

entre o dia e a noite



Chegaste e logo me seduziste
num jeito balançante
entre o dia e a noite
levaste-me por completo;
nos teus braços me deleito
e encontro a essência que revigora
qualquer espírito humano
e desperta instintos irracionais
emanando à tona da pele
o mais íntimo da nossa alma.