Somos todos diferentes, mas necessitamos também dessas diferenças para nos sentirmos únicos. As relações - connosco e com os outros - são feitas de viagens; estamos constantemente a viajar para dentro e para fora de quem somos. Viajamos quando vamos aos extremos da nossa personalidade ou até mesmo quando projectamos no outro aquilo que gostaríamos de ver em nós.
Viajar pode remeter o nosso pensamento para uma galáxia que não foi ainda descoberta, levar-nos a descobrir coisas que nem imaginávamos que pudessem existir.
O roteiro da viagem de conhecer um 'eu' que não o nosso implica, decerto, uma caminhada cheia de aventura e um sem número de sentimentos e sensações que, consequentemente, afloram à nossa pele. Com o tempo, podemos ficar de tal maneira 'invadidos', sem darmos conta, que esse 'eu' passa a fazer parte de nós. E pode, posteriormente, abeirar-se um doloroso processo de 'check out'.
Por outro lado, acontece a viagem ao centro do nosso 'eu', daquilo que somos (sozinhos e com os outros) e fazemos. Na verdade, não tem graça nenhuma embarcar sozinho, seja qual for o destino. Infelizmente, esta é uma viagem que nem sempre estamos dispostos a realizar, talvez, por nos suscitar medo daquilo que possamos vir a descobrir.
Contudo, e por fim, esta viagem menos apreciada, aquela onde ao dobrar da esquina surgem Adamastores causadores de turbulências e desalentos traz-nos a possibilidade de sermos os heróis na expansão da sociedade vindoura.